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Roteiro: PNI - Parte Alta

Atualizado: 5 de mai.

O primeiro parque nacional do Brasil, a rodovia federal mais alta do Brasil, o abrigo de montanha mais alto do Brasil e o ponto mais alto do país que se pode chegar pedalando. O que todos esses lugares tem em comum? O fato de que você pode conhecer todos eles no mesmo pedal! Um percurso tão marcante que impressionou até mesmo o nosso maior atleta de MTB de todos os tempos, Henrique Avancini! Neste artigo vamos te contar em detalhes tudo que você precisa saber para se preparar para viver essa experiência inesquecível!

 

O ponto de partida para essa aventura é a Garganta do Registro, em Engenheiro Passos, distrito de Resende, lugar que marca a tríplice divisa entre os estados do RJ, SP e MG, a uma altitude de 1699m e distante cerca de 50km do centro da cidade. É possível ir até lá pedalando, mas você terá que encarar uma das serras mais difíceis e perigosas da região, portanto nossa sugestão é que você leve a bike de carro até esse local, onde o veículo poderá ficar em segurança enquanto você pedala estrada acima. Mesmo porquê, o trecho que iremos descrever aqui já é bastante desafiador e cansativo por si só. Se você não sabe chegar até esse lugar, clique aqui.

Placa que marca o início da pedalada, a 1699m
Monumento da triplice divisa
Garganta do Registro

O caminho principal a ser percorrido possui cerca de 16km ao todo (ida), sendo os 13 iniciais de uma subida constante e difícil devido às condições da estrada. Além disso, há também o desvio para subir até o Morro da Antena, ponto mais alto que podemos chegar pedalando no Brasil. Esse desvio acrescenta mais 1,5km de subida ao total. Portanto, considerando o retorno, estamos falando de um total de cerca de 35km de pedalada.

Como fica o desenho no Strava

Saindo do asfalto e seguindo pela estrada à direita que começa logo após o letreiro de Itamonte, você logo irá se deparar com a inclinação que te acompanhará por praticamente todo o percurso. Portanto, trave a suspensão e coloque na marcha certa logo nas primeiras pedaladas!

Letreiro do municipio de Itamonte
Início da subida pela estrada do parque

Cerca de 800m após começar a pedalar você irá ver placas indicando que desse ponto em diante você já estará pedalando dentro do Parque Nacional do Itatiaia. Isso mesmo, o parque começa muito antes da portaria em si, portanto, durante todo o percurso tenha a consciência de não deixar lixo algum pelo caminho, não alimentar a fauna local, preservar a flora e seguir todas as normas do parque.

Oficialmente dentro do PNI

Após percorrer quase 6km cercado de mata atlântica de ambos os lados, uma mureta grande em curva irá chamar sua atenção. Este lugar, além de proporcionar uma bela vista, de onde é possível ver inclusive a chamada Pedra do Picu ao longe, também é onde fica a entrada para a chamada Casa de Pedra, local usado por pesquisadores e funcionários do parque.

Longa mureta do lado direito que chama a atenção
Vale a pena conferir a vista a partir da mureta
Ciclistas passando em frente à Casa de Pedra.
Casa de Pedra

Um dos motivos pelo qual esse ponto de referência é importante é porque poucos metros depois você irá ver (se prestar bastante atenção) um bloco de concreto no chão do lado direito marcando o quilometro 6 da estrada. É ao lado desse bloco que encontra-se o início da trilha que leva até a chamada "Pedra do Registro", uma trilha curta, de cerca de 2km pela mata, que não é possível fazer com a bike, nem empurrando. Mas já deixe registrado na sua lista de passeios a se fazer em outra oportunidade. (Nunca faça qualquer trilha pela primeira vez sem a presença de alguém que a conheça).

Início da trilha para a Pedra do Registro
Totem que marca o KM6 da rodovia, onde começa a trilha
Pedra do Registro. Uma trilha pra se fazer em outra oportunidade. (Pedra do Picu visto ao longe)

Cerca de um quilômetro e meio depois você irá ter um pequeno alívio do terreno irregular quando alcançar uma longa ponte branca de concreto a partir da qual, olhando para à esquerda, você terá uma belíssima vista das montanhas de Itamonte, município mineiro pela qual você estará passando neste momento inclusive. Um bom lugar para tomar uma água enquanto espera os colegas e aprecia a vista.

Ponte que marca a metade do caminho até a portaria
Aproveite para descer da bike um pouco e curtir o momento
Que vista!
Henrique Avancini passando por este local

Poucos metros depois você irá passar por uma clareira, um lugar conhecido como Brejo da Lapa, que fica a 2160m de altitude. Não se empolgue com a aparente descida, pois os buracos não vão te deixar pegar velocidade.

Brejo da Lapa

CURIOSIDADE: Reza a lenda que o Brejo da Lapa antigamente era um lago, represado por Getúlio Vargas no período da revolução constitucionalista dos anos 30 para servir de pista de pouso para seu hidroavião, de onde ele poderia seguir para a Casa de Pedra, também erguida a mando dele para ser um refúgio durante a guerra, caso fosse preciso.

Placa que indica que você está passando pelo Brejo da Lapa

Mais algumas pedaladas e você irá chegar na única bifurcação dessa estrada, onde o caminho à esquerda te levaria ao Corredor Turístico Vale do Aiuruóca (Fragária), um pedal que também iremos documentar no futuro! A partir desse ponto você ainda terá de enfrentar mais 5km de subida. Siga à direita para continuar na Estrada Parque.

Chegada ao trevo da Fragária
Muitas placas indicando o caminho
Mantenha-se à direita!

A partir desse ponto algumas das formações rochosas do parque já estarão visíveis e as araucárias te acompanharão por certo tempo, uma paisagem realmente única!

Muitas Araucárias pelo caminho

As condições da estrada nos quilômetros finais da subida pioram na medida em que você se aproxima do seu ponto mais alto, portanto, esteja preparado para superar e desviar de obstáculos pelo caminho, um excelente treino de MTB!

Desafio até mesmo para o Avancini!

Mais um pouco adiante e você irá passar por um mirante do lado direito com uma linda vista para as montanhas e para a mata, não perca a oportunidade de perceber o quão alto você está!

Bonita vista a partir do mirante
Aproveite cada momento!

Mais algum tempo pedalando e se impressionando com o que vê de todos os lados e você irá passar por uma mureta de metal do lado esquerdo da estrada que indica o ponto onde se inicia a trilha para a Pedra Furada, outra atração que não é possível (ou permitido) visitar de bicicleta mas que você deve procurar conhecer em outra oportunidade.

Ponto que marca o início da trilha para a Pedra Furada

O próximo ponto de atenção fica a apenas 400m adiante, é a placa que marca o local onde se inicia a trila para a Pedra do Camelo, outra formação rochosa pra você conhecer quando quiser fazer uma trilha diferenciada a pé!

Placa que indica o início da trilha para a Pedra do Camelo

A partir desse ponto serão mais 1,4km até a portaria do parque, cujo nome oficial é Posto Marco Antônio Moura Botelho, também conhecida como Posto Marcão. Hora de respirar, tomar uma água e registrar em fotos sua façanha de ter chego até o ponto mais alto de uma estrada federal no Brasil, exatos 2461m de altitude!

Últimos metros antes do Posto Marcão
Bem vindo ao primeiro parque nacional do Brasil!

É nesse lugar que você terá que apresentar o ingresso que comprou online previamente, para que possa seguir pela estrada até as suas atrações principais. Em teoria é possível comprar o ingresso na hora, mas por se tratar de um local isolado, há sempre a possibilidade de estar sem sinal de internet por algum motivo, portanto, recomendamos não arriscar deixar isso para a última hora. Você pode clicar aqui para ir direto até a página onde poderá comprar o ingresso. Nela, selecione o dia desejado e depois a aba "Parte Alta". Em determinado momento será lhe perguntado qual atração irá visitar, nesse momento, selecione a opção "demais atrações".

Posto Marcão (portaria da parte alta do parque)

Seguindo adiante, logo nos primeiros metros após a portaria você irá ver à sua direita o início do caminho para o Morro do Couto, segundo ponto mais alto do parque e o nono mais alto do Brasil! Você pode percorrer o início desse caminho pedalando por um trecho pavimentado até uma antena de comunicação que fica à 2570 metros de altitude, ponto mais alto em que uma bicicleta pode chegar no Brasil!

Início da subida até a o Morro da Antena
A meta é chegar naquela torre!

Vale muito a pena fazer esse esforço adicional de subir mais 1,5km de estrada, pois tanto ao longo do caminho quanto aos pés da torre você terá vistas sensacionais do Vale do Paraíba e da Serra da Mantiqueira, incluindo uma visão privilegiada do próprio Morro do Couto e do Pico das Agulhas Negras!

Pausa para apreciar a paisagem
Hora de comemorar a conquista!
2570 metros de altitude!
Morro do Couto e Pico das Agulhas Negras

Após chegar no "topo do mundo da bike", hora de voltar para próximo da portaria para dessa vez seguir em frente em direção ao Abrigo Rebouças, o abrigo de montanha mais alto do país. Para tal, você ira percorrer mais 3km de estrada de terra com uma leve descida.

Rumo ao Abrigo Rebouças

Uma das atrações dessa parte do caminho é a nascente do Rio Campo Belo, local onde você pode inclusive reabastecer sua garrafinha com uma água mais que natural! Atrás da nascente você poderá ver o Morro do Couto em todo o seu esplendor!

Nascente do Rio Campo Belo, com o Morro do Couto ao fundo
Pensa numa água especial e gelada!

O visual que se tem nesse trecho da estrada é indescritível, não vou nem tentar colocar em palavras, é algo que você precisa ver pessoalmente pra entender. É possível inclusive avistar "de perto" o ponto mais alto do estado do RJ, o Pico das Agulhas Negras, o sexto ponto mais alto do Brasil.

Difícil até pensar em uma legenda!
Pedalando em campos de altitude!

Depois de ter essa experiência incrível de pedalar pelo Planalto do Itatiaia você irá chegar no principal abrigo parque, local onde é permitido pernoitar mediante reserva prévia ou até mesmo acampar do lado de fora, sempre mediante agendamento. O que se vê a partir desse lugar é algo que meras fotos não conseguem expressar, portanto, trate de marcar de fazer esse pedal o mais rápido possível pra você ver com os próprios olhos!

Abrigo Rebouças marca o início da trilha para o Pico das Agulhas Negras
Lago do abrigo com as Agulhas ao fundo
Abrigo Rebouças
Quem dera desse pra ir até o pico com a bike.
Com a galera é muito mais legal!
Henrique Avancini em seu habitat natural, a montanha!

Para encerrar com chave de ouro este roteiro, quero convidar você a assistir o mini documentário produzido pela equipe do próprio Avancini, onde ele conta como foi viver essa experiência de subir até o topo do estado do Rio de Janeiro pedalando! O vídeo conta inclusive com a minha participação (Silas Romanha), pois tive a honra de ser o escolhido para acompanhá-los nessa expedição:



No caminho de volta tome MUITO, mas MUITO cuidado com o excesso de confiança nos 13km de descida! Se não tem experiência com esse tipo de terreno e velocidade, faça uso sem moderação dos freios e não se distraia, para não sofrer acidentes. Lembre-se que haverão veículos subindo.

 

Então, o que achou? Já fez esse pedal? Descobriu algo novo sobre esse percurso com esse roteiro? Sabe de alguma curiosidade que deixamos passar? Conte pra gente nos comentários!


 

Ficha técnica

Altimetria

Tipo de bike recomendada: MTB

Estrada de terra: 32km

Ganho de elevação: 976m

Distância total: 35km

Exposição ao Sol: ALTA

Nível: AVANÇADO Principais atrativos: Posto Marcão; Abrigo Rebouças, Morro da Antena

 

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